ESGreen lança na FEBRABAN TECH tecnologia que antecipa impacto do risco climático em carteiras financeiras

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Se o risco climático já interfere na produção, na renda, nos ativos e na capacidade de pagamento de pessoas e empresas, quanto tempo uma instituição financeira tem para agir antes que esse risco se transforme em perda econômica? Foi a partir desse desafio que a ESGreen lançou nesta segunda-feira (24), durante a FEBRABAN TECH 2026, em São Paulo, o IRC-ESGreen (Índice de Risco Climático), infraestrutura de inteligência climática desenvolvida para complementar os processos de avaliação e monitoramento de risco de pessoas físicas e jurídicas.

A tecnologia foi apresentada por Mauricio Rodrigues, CEO da ESGreen, durante palestra realizada no estande da Lenovo na FEBRABAN TECH.No primeiro dia do evento, o executivo também apresentou pessoalmente o IRC-ESGreen a Márcio Aguiar, Director of Enterprise Sales – Latin America da NVIDIA, compartilhando os avanços da solução desenvolvida para atender especialmente às características da América Latina e da África.

O lançamento acontece em um momento em que eventos climáticos extremos deixam de representar apenas uma preocupação ambiental e passam a interferir diretamente na dinâmica do sistema financeiro. Uma seca, uma enchente, uma onda de calor, um incêndio ou mesmo alterações nas condições de determinada cultura podem modificar produtividade, receitas, ativos, sinistralidade e capacidade de pagamento. O que começa como um evento climático pode terminar como um evento de crédito.

É essa distância entre o evento climático e sua consequência financeira que o IRC-ESGreen busca reduzir. A infraestrutura combina diferentes camadas de informação para construir uma visão integrada do risco. No modelo desenvolvido pela ESGreen, 60% da composição está relacionada a riscos climáticos, 30% a riscos ESG e 10% a riscos operacionais. As informações climáticas são atualizadas diariamente e processadas por modelos preditivos capazes de gerar perspectivas de risco para janelas de 7, 15, 30 e 60 dias, inicialmente.

“Não estamos olhando apenas para o que aconteceu naquela propriedade ou empresa no passado. A proposta é acrescentar uma camada de inteligência que permita entender o que pode acontecer naquele território e como isso pode impactar economicamente aquela operação. Quando conseguimos antecipar o risco, criamos também uma janela para que a instituição tome decisões antes que o impacto aconteça”, explica Mauricio Rodrigues.

Um dos diferenciais apresentados durante a FEBRABAN TECH é o processamento da análise. O IRC-ESGreen consegue aproximar a avaliação das características específicas do território analisado, chegando a uma resolução espacial de aproximadamente 4 a 5 quilômetros e permitindo visualizar informações relacionadas à própria área produtiva.

Isso significa que uma instituição pode acompanhar não apenas indicadores gerais de determinada região, mas compreender como condições específicas podem interferir nos ativos que compõem sua carteira.

No agronegócio, por exemplo, a incidência de um fungo, a alteração de padrões de vento, uma estiagem ou o excesso de chuva podem produzir consequências econômicas diferentes de acordo com a cultura, a localização e as características daquela propriedade.

A inteligência gerada pode ajudar instituições financeiras a antecipar ações relacionadas à carteira de crédito e, inclusive, identificar oportunidades para oferecer instrumentos financeiros adequados às condições identificadas.

“Quando o banco consegue enxergar o risco antes, a discussão deixa de ser apenas sobre restringir crédito. Ela passa também por entender quais soluções financeiras podem ajudar aquele cliente a atravessar determinado cenário. Isso abre espaço para crédito, seguros e estruturas de finanças sustentáveis mais conectadas à realidade de cada operação”, afirma Rodrigues.

Nesse contexto, o avanço de linhas de financiamento sustentável disponibilizadas por instituições como BNDES e BID amplia também a possibilidade de conectar inteligência climática à estruturação de novos instrumentos financeiros.

Do crédito ao seguro

As aplicações apresentadas pela ESGreen vão além das carteiras de crédito. No mercado segurador, a mesma infraestrutura pode contribuir para análises de propriedades e ativos. Um silo graneleiro, por exemplo, pode ser avaliado considerando seu histórico, sua localização, a proximidade de áreas com ocorrência de queimadas e registros anteriores de avarias. Essas informações acrescentam novas variáveis aos processos de avaliação de risco de seguradoras e resseguradoras.

A lógica também pode ser aplicada à análise de sinistralidade associada às mudanças climáticas. Eventos de temperatura extrema, por exemplo, afetam de maneira diferente determinados grupos populacionais. Pessoas acima de 65 anos, crianças menores de cinco anos e indivíduos com determinadas comorbidades estão entre os grupos mais vulneráveis ao calor extremo, o que pode aumentar a utilização de hospitais, unidades de saúde e serviços cobertos por planos e seguros. 

Essa inteligência abre uma terceira frente de aplicação: a gestão pública. Ao cruzar projeções climáticas, território e características populacionais, a ESGreen trabalha também com cenários relacionados aos impactos de temperaturas extremas sobre cidades e populações.

A perspectiva permite discutir desde a necessidade de reforço da infraestrutura de saúde em determinados territórios até fenômenos mais amplos, como deslocamentos populacionais provocados por condições climáticas extremas.

Para a empresa, a inteligência climática tende, portanto, a ultrapassar o campo da previsão meteorológica e assumir uma função econômica: ajudar instituições a antecipar onde estarão os riscos, quais populações ou ativos estarão mais expostos e quais decisões podem ser tomadas antes que os impactos se materializem.

“O dado climático sozinho não resolve o problema. O valor está em conseguir relacioná-lo ao ativo, à pessoa, à empresa, à carteira e ao território e transformar essa informação em capacidade de decisão. É quando a inteligência climática começa a conversar com crédito, seguro, investimento e política pública que ela passa a ter impacto econômico”, destaca o CEO.

Tecnologia pensada para mercados ainda pouco cobertos

A infraestrutura desenvolvida pela ESGreen tem como foco inicial países da América Latina, a partir do México, e da África. A escolha está relacionada tanto às similaridades climáticas e territoriais encontradas entre diferentes regiões quanto à necessidade de modelos construídos a partir das especificidades desses mercados.

Antes do lançamento, o IRC-ESGreen passou por um piloto envolvendo mais de mil áreas e propriedades produtivas da Região Sul do Brasil. A análise identificou algum nível de exposição a eventos climáticos extremos em 94,3% da carteira avaliada nos dois anos anteriores. O resultado não significa que 94,3% das operações resultarão em perdas. Ele demonstra, porém, a dimensão de uma variável que ainda pode permanecer invisível em modelos tradicionais de avaliação financeira.

Para a ESGreen, o IRC representa a primeira aplicação comercial de uma infraestrutura maior de inteligência climática. A expectativa é ampliar progressivamente sua utilização em crédito, seguros, investimentos, saúde e gestão pública.

“A discussão que estamos propondo é sobre uma nova camada da infraestrutura de decisão. O mercado financeiro aprendeu a medir risco de crédito, liquidez e mercado. Agora, diante de uma economia cada vez mais impactada pelo clima, precisamos desenvolver a mesma capacidade de compreender, mensurar e antecipar o risco climático”, conclui Mauricio Rodrigues.

ESGreen na FEBRABAN TECH 2026

Além do lançamento do IRC-ESGreen, Mauricio Rodrigues participa nesta quarta-feira, 26 de agosto, às 10h30, do painel “Descarbonização e mercado de carbono no Brasil: desafios, credibilidade e escala”, na Arena Fintech da FEBRABAN TECH 2026. O executivo participa da conversa ao lado de Danielle Pimenta, com moderação de Cintia Oller Cespedes.